Por Maristela Lucas, CMO na Global Pays
O mercado de pagamentos cross-border entre Brasil e Estados Unidos passa por uma transformação acelerada. A digitalização dos negócios, o aumento das compras internacionais e o crescimento de brasileiros consumindo produtos e serviços de empresas americanas colocaram os meios de pagamento no centro das decisões estratégicas. Segundo dados da Statista, as receitas globais de pagamentos internacionais devem ultrapassar 240 bilhões de dólares até 2026, enquanto o volume de transações entre empresas permanece na casa dos trilhões. Vender para outros países, portanto, deixou de ser exceção e já faz parte do plano de crescimento de milhares de empresas.
Pagamentos cross-border são transações financeiras realizadas entre pessoas ou empresas localizadas em países diferentes. No corredor Brasil–EUA, isso inclui empresas americanas recebendo de clientes no Brasil, brasileiros pagando em reais por produtos ou serviços nos Estados Unidos. Como cada país possui regras, moedas e comportamentos distintos, o pagamento internacional tornou-se um dos principais pontos de inovação.
À medida que avançamos para 2026, observa-se uma mudança clara: o cross-border deixa de ser complementar e passa a ser um dos principais eixos de crescimento. Não se trata mais apenas de grandes corporações com presença global. Pequenas escolas, clínicas, empresas de turismo, negócios digitais e prestadores de serviço nos Estados Unidos já atendem brasileiros diariamente. A globalização dos negócios já é uma realidade e as empresas precisam se adaptar para expandir o mercado e estarem aptas a atender à demanda, que é cada vez maior. Relatórios do Worldpay Global Payments Report mostram crescimento contínuo dos pagamentos digitais e ampliação da participação de transações internacionais, o que confirma essa expansão. Empresas que conseguem cobrar do Brasil de forma simples e transparente crescem mais rápido; aquelas que não têm estrutura de pagamento internacional perdem mercado.
Uma das tendências mais decisivas para 2026 é o fortalecimento dos meios de pagamento locais. O consumidor brasileiro prefere pagar do jeito que já conhece: Pix, cartão brasileiro com parcelamento, preço exibido em reais e carteiras digitais. Quando encontra essas opções, sente confiança e conclui a compra com menos resistência. Quando só encontra cartão internacional e cobrança em dólar, a hesitação aumenta. Pesquisas de mercado mostram que a oferta de métodos de pagamento locais reduz o abandono e melhora a taxa de aprovação de transações. No corredor Brasil–EUA, esse comportamento é ainda mais evidente: empresas americanas que aceitam pagamento em reais com métodos familiares ao cliente tendem a vender mais e a produzir uma experiência melhor.
Outro movimento importante é a consolidação dos pagamentos instantâneos. De acordo com a ACI Worldwide, as transações em tempo real cresceram mais de 40% em 2023. O Pix foi central para moldar esse comportamento no Brasil. O consumidor passou a esperar confirmação imediata e liberação rápida do serviço ou produto adquirido. Essa expectativa já começa a ser levada também para o ambiente internacional. Empresas americanas que vendem para brasileiros precisam competir, além do preço e do produto, na agilidade da confirmação de pagamento cross-border.
A integração tecnológica também define o cenário para 2026. O modelo antigo, baseado em vários sistemas desconectados, dá lugar a soluções nas quais o pagamento está diretamente integrado a checkouts, APIs, plataformas de e-commerce e CRMs. Cada vez mais empresas operam com checkout transparente no site, integração via API com suas plataformas próprias ou geração de links de pagamento dentro do próprio CRM. Isso reduz o erro operacional, melhora o controle financeiro e aumenta a conversão porque simplifica a jornada do cliente. Na prática, o pagamento passa a fazer parte do fluxo comercial, e não apenas do setor financeiro.Segurança é outro ponto central. O crescimento do volume de pagamentos internacionais aumenta também o risco de fraude. O mercado evolui para modelos que utilizam inteligência artificial, análise comportamental e autenticação adaptativa. O desafio é proteger o negócio sem transformar a experiência do cliente em um processo burocrático e demorado. A tendência para 2026 é combinar segurança robusta com menos fricção visível para o usuário, o que também contribui para uma maior taxa de aprovação.
Diante dessas tendências, 2026 se desenha como o ano em que o pagamento cross-border deixa de ser uma questão operacional e se consolida como estratégia de crescimento. Empresas que atuam entre Brasil e Estados Unidos e que desejam expandir suas receitas precisam aceitar meios de pagamento locais, oferecer opções familiares ao cliente brasileiro, confirmar pagamentos rapidamente, integrar seus sistemas e transmitir confiança e transparência.
É nesse contexto que a Global Pays se posiciona como solução de pagamento cross-border entre Brasil e EUA. A plataforma permite que empresas nos Estados Unidos recebam de clientes no Brasil por meio de Pix, cartão brasileiro com parcelamento e cobrança em reais, com repasse em dólares nos Estados Unidos. Além disso, oferece checkout transparente via API, plugins de integração, conexão com CRM para emissão de links de pagamento e operação alinhada a requisitos de compliance e segurança. Dessa forma, a empresa americana consegue vender para o cliente brasileiro da forma que ele confia, enquanto recebe nos EUA com agilidade e controle.
O mercado aponta na direção de pagamentos internacionais mais rápidos, mais locais, mais integrados e mais simples para o usuário final. Empresas que enxergarem o pagamento cross-border como parte da estratégia — e não apenas como última etapa da venda — estarão mais bem posicionadas para crescer no corredor Brasil–EUA em 2026.